Filhx,
A vida é mesmo engraçada e cada dia que passa eu tenho mais confirmações sobre isso. Ela pode ser linda e colorida em um dia chuvoso, mas também pode ser dolorosa e triste em um dia de sol. Não existem regras, nem certezas, apenas surpresas surpreendentes (se é que é possível!).
Seus pais sofreram muito durante esse ano de 2017, mas também aprendemos muito. É por isso que estou com essa sensação esquisita de que ele foi o pior e melhor de todos os anos. E já estou me acostumando com esses paradoxos de sentimentos, afinal, 2007 também foi o melhor e pior ano de minha vida pois, enquanto mamãe explorava a maior experiência de autoconhecimento vivenciada até então, também perdia uma pessoa muito especial em nossas vidas, a nossa madrinha querida. Você certamente ainda vai ouvir minhas histórias sobre ela. Aquila mistura de sentimentos foi tão intensa e tão diferente, que é difícil até relembrar, compreender, entender.
Bom, o ano de 2017 está quase chegando ao fim e preciso lhe confessar. Aprendi tantas coisas durante esses dias, que pode até parecer pretensão da minha parte, mas tenho a sensação de que entrarei em 2018 uma pessoa diferente, ligeiramente diferente, moldada pelos aprendizados que foram burilados com uma dor intensa de decepções repetitivas. Parece triste, né?! Mas não é não, afinal "tudo vale a pena se a alma não é pequena!"
Estou chorando agora, com esse mesmo paradoxo que me encheu os corações durante esses 12 meses. Estou com medo, muito medo de viver mais uma dessas decepções avassaladoras, mas é preciso seguir em frente. É preciso pedir ajuda à família, aos amigos próximos, aos mentores e, sobretudo, à Deus, para que tudo dê certo e que o melhor aconteça. A questão é que nem sempre o melhor que queremos, é o melhor que devemos receber. E exatamente porque acredito nisso é que eu tenho medo. Medos das incertezas, medo da distância, medo de ter as convicções irem para o ralo num piscar de olhos, porque já foram tantas convicções que se foram.
Às vezes, filhx, eu me sinto uma fraca, às vezes sinto culpa, às vezes só dói mesmo. Uma dor moral que se torna física como um punhal. Fico lendo trechos de livro, frases, poemas e provérbios no intuito de que eles amenizam um pouco essa sensação terrível. Aí vem a culpa e a cobrança por não conseguir ser o ser iluminado que eu gostaria. Estou tentando praticar o processo de aceitação, mas é difícil demais nos momentos de dor intensa. Fica essa confusão mental louca, que eu extravaso em forma de lágrimas.
Aí vem a culpa mais uma vez. E o desejo de pensar diferente! E o racional que entende que precisa pensar diferente por tudo aquilo que eu entendo da vida, mas que não envia esse mesmo comando para o sentimento. É confuso, mesmo, filhx. Difícil de decifrar os sentimentos humanos. Somos uma caixa quase vazia e vamos incluindo novas experiências dentro dela.
E vamos nos transformando....transformando.....transformando até chegarmos à perfeição. Mas somos um emaranhado de pensamentos e sentimentos que não controlamos. Aos poucos, conforme a vida vai nos mostrando, ensinando e burilando, vamos desenrolando esse carretel.
Hoje a mamãe está super enrolada!! Sem previsão para o desenrolar.