Filha, essa noite vc engasgou enquanto dormia. Eu lhe dei um remédio após a mamada e mantive vc quase sentada. Passaram-se 10 min e tudo parecia normal. Até que você tossiu e pareceu estar engasgada, sem respirar. Te sacudi na tentativa de recuperar a sua respiração e em poucos segundos, tudo voltou ao normal. Vc nem mesmo acordou. Continuou adormecida com grande tranquilidade. Eu fiquei ali, parada, com vc nos braços, chorando, pensando na possibilidade de te perder assim num pequeno instante. E foi tão doloroso, filha, pensar nisso. Desde a sua chegada, sinto um amor tão profundo que ele aumentou o meu medo em quase tudo: medo de te perder, medo da mudança da minha identidade, medo de perceber o quanto sou fraca e ainda desequilibrada, que ainda não tenho controle sobre as minhas emoções como gostaria. Medo de falhar, de não dar conta da minha vida com a sua ausência. Pensar que algo possa acontecer com vc me dá um desespero enorme. Aí tenho medo de ser apegada demais e de criar você de uma forma que te impeça de voar.
Tanta imaturidade, filha.
Desejamos muito a sua chegada e talvez por esse sonho ter se realizado, fica difícil nivelar as expectativas. Mas sei que preciso perder esses medos pra deixar você ir, viver suas experiências e fluir no mundo. Preciso controlar todos esses medos para que você não seja prisioneira desse meu amor tão egoista (se é que possível).
Prometo a vc que vou tentar mudar essa forma de pensar!