Filha,
Faz tempo que não venho aqui escrever. Mas tenho tanto para
lhe falar. Tanto tempo que hoje, fui te colocar de novo pra dormir, às 4:00 e
não consegui mais dormir. Minha mente estava um turbilhão de pensamentos e, ao
invés de lutar contra o sono, resolvi levantar e escrever tudo aquilo que está
rondando por aqui.
Tenho lido os escritos de muitas mulheres, todas inspiradoras
dentro da sua missão. E isso acaba reverberando também em mim. Às vezes me
sinto incapaz de escrever. Acho meu texto simples demais e pouco fluído (aquela
velha mania da sua mãe de se comparar “pra baixo”). Depois me recordo que a
escrita terapêutica sempre foi uma prática: escrevia diários quando criança, a
experiência de intercâmbio foi “embalada” por um blog que se tornou um grande
amigo de jornada. Enfim, a escrita esteve sempre presente. Tanto que nos
últimos dias minha cabeça pedia para escrever. E acabei incluindo isso na minha
mandala lunar, para que eu possa compreender em quais momentos do meu ciclo
menstrual, esse desejo fica mais latente.
Então vamos aos assuntos que quero compartilhar com você
nesse final e início de um novo mês.
Junho passou rápido. Você fez 1 aninho e eu só pude escrever
uma oração, nada mais.
Completei 39 anos sem grandes alardes ou comemoração (algo
difícil pra mim). Mas é que ainda estamos em meio a uma pandemia e o isolamento
(e todas essas barbaridades que estamos vendo por aí: a política, o incremento
da violência feminina, a crise na economia etc..) tira um pouco o “brilho” das
coisas. Mas minha alma está serena e tranquila. Passamos muitos dias em
Itaipava, em contato com a natureza e ela me regenera demais. Mas também em
junho voltamos pra casa, ao nosso ritmo. E os dias seguem.
Você segue crescendo saudável, rápido (mais do que eu
gostaria) e apesar de todo o cansaço com as rotinas do dia a dia, ainda consigo
me maravilhar sempre que observo você. Nesse mês, você também começou a andar
de forma consistente, sem apoio, e já carrega coisas de um lado para o outro
como um robozinho. Lindo de ver!
Mas nem tudo são flores. Estamos tendo desafios com seus
gritos (e isso fala muito mais sobre nós do que sobre você) e com seu sono,
ainda agitado e inconstante. Apesar disso, dentro da nossa humanidade, vamos
tentando administrar melhor nossas emoções. Alguns dias são mais fáceis e
conseguimos. Em outros, gritamos, nos estressamos e nos arrependemos. E faz
parte! Ainda há pouco li uma frase perfeita sobre isso, que coloco aqui para
você também aprender com ela: “ Não há nenhuma possibilidade da gente se
relacionar com alguém sem errar. Sem vacilar, sem pisar na bola. Fazemos isso
com amigos, amores e filhos. E isso acontece porque nos mostramos de forma
verdadeira para aqueles que amamos. Acontece porque somos feitos de carne e
osso e acontece principalmente porque estamos aprendendo uns com os outros.”
Lua Barros.
É exatamente assim. Eu e seu pai estamos aprendendo (muito)
com você. Gratidão por isso!
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