quinta-feira, 23 de julho de 2020

Em julho


Filha,
Faz tempo que não venho aqui escrever. Mas tenho tanto para lhe falar. Tanto tempo que hoje, fui te colocar de novo pra dormir, às 4:00 e não consegui mais dormir. Minha mente estava um turbilhão de pensamentos e, ao invés de lutar contra o sono, resolvi levantar e escrever tudo aquilo que está rondando por aqui.
Tenho lido os escritos de muitas mulheres, todas inspiradoras dentro da sua missão. E isso acaba reverberando também em mim. Às vezes me sinto incapaz de escrever. Acho meu texto simples demais e pouco fluído (aquela velha mania da sua mãe de se comparar “pra baixo”). Depois me recordo que a escrita terapêutica sempre foi uma prática: escrevia diários quando criança, a experiência de intercâmbio foi “embalada” por um blog que se tornou um grande amigo de jornada. Enfim, a escrita esteve sempre presente. Tanto que nos últimos dias minha cabeça pedia para escrever. E acabei incluindo isso na minha mandala lunar, para que eu possa compreender em quais momentos do meu ciclo menstrual, esse desejo fica mais latente.
Então vamos aos assuntos que quero compartilhar com você nesse final e início de um novo mês.
Junho passou rápido. Você fez 1 aninho e eu só pude escrever uma oração, nada mais.
Completei 39 anos sem grandes alardes ou comemoração (algo difícil pra mim). Mas é que ainda estamos em meio a uma pandemia e o isolamento (e todas essas barbaridades que estamos vendo por aí: a política, o incremento da violência feminina, a crise na economia etc..) tira um pouco o “brilho” das coisas. Mas minha alma está serena e tranquila. Passamos muitos dias em Itaipava, em contato com a natureza e ela me regenera demais. Mas também em junho voltamos pra casa, ao nosso ritmo. E os dias seguem.
Você segue crescendo saudável, rápido (mais do que eu gostaria) e apesar de todo o cansaço com as rotinas do dia a dia, ainda consigo me maravilhar sempre que observo você. Nesse mês, você também começou a andar de forma consistente, sem apoio, e já carrega coisas de um lado para o outro como um robozinho. Lindo de ver!
Mas nem tudo são flores. Estamos tendo desafios com seus gritos (e isso fala muito mais sobre nós do que sobre você) e com seu sono, ainda agitado e inconstante. Apesar disso, dentro da nossa humanidade, vamos tentando administrar melhor nossas emoções. Alguns dias são mais fáceis e conseguimos. Em outros, gritamos, nos estressamos e nos arrependemos. E faz parte! Ainda há pouco li uma frase perfeita sobre isso, que coloco aqui para você também aprender com ela: “ Não há nenhuma possibilidade da gente se relacionar com alguém sem errar. Sem vacilar, sem pisar na bola. Fazemos isso com amigos, amores e filhos. E isso acontece porque nos mostramos de forma verdadeira para aqueles que amamos. Acontece porque somos feitos de carne e osso e acontece principalmente porque estamos aprendendo uns com os outros.” Lua Barros.
É exatamente assim. Eu e seu pai estamos aprendendo (muito) com você. Gratidão por isso!

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