Filha,
Já estamos em Outubro e esse ano de 2020 continua com o tempo diluído.
Ainda que os dias pareçam repetitivos, muita coisa está acontecendo lá fora. Você fez 1 ano e 4 meses, seu pai fez aniversário, a Tia Glorinha saiu do hospital, enquanto Tia Claudia sofre e seu tio Renato foi diagnosticado com uma doença (mas já segue no processo de cura). Você cresce, um pouquinho a cada dia. Descobre novos mundos e parece nem perceber todas essas pequenas surpresas que esse ano nos trás. Tivemos que mudar muitos planos, mas isso parece não interferir no seu crescer.
Você continua caminhando com passos firmes. Corre, quase voa. Cai e se levanta com tanta naturalidade que até assusta os adultos em volta. Continua adorando água e coloca as mãos e pés na piscina, sem medo (para meu desespero). Olha as formiguinhas, coloca a mão na terra e se diverte em vê-la se espalhando pelo chão.
Você já monta blocos, abre e fecha todas as portas e gavetas que encontra pela frente. E está naquela fase de subir em tudo, pra testar se consegue manter o equilíbrio. E nessas tentativas vale banco, cadeira e até pote de plástico.
Você continua sorridente, mas também desenvolveu um certo senso de desconfiança com aqueles que acaba de conhecer e ver. Mas me abraça com tanta força e carinho, que eu me "derreto toda". Semana passada você aprendeu a mandar beijo e nos dá beijinho de boca fechada (não mais aquele babado gostoso, da boca aberta).
Fico admirada te observando brincar, concentrada, tirando e colocando "as coisas" dentro de potes, sacos ou qualquer outra coisa. E você também começou na fase da transição de líquidos. É lindo te observar no banho, passando a água de um lado para o outro, e bebendo um gole, no final.
Você continua fã de sabonete. De qualquer tipo: líquido, sólido, branco ou colorido. Já nem digo "não" porque não adianta. É uma batalha que não vejo como sair vitoriosa.
Você também gosta de se esconder, coloca o dedinho nos buraquinhos e elegeu alguns espaços na casa para serem seu cantinho. E neles, você passa um tempão quietinha, brincando sozinha ou se escondendo e aparecendo, só pra gente correr atrás.
Outra brincadeira nova é levar seu pai e eu pra passear pela casa. Você pega no nosso dedinho e os arrasta pelos cômodos, indo e voltando, por inúmeras vezes. Também está focada no seu triciclo. Todos os dias, você pega meu dedo, me guia até o assento e espera que eu lhe empurre (repetidamente) pelos cômodos da casa, por horas e horas.
O tempo lá fora parece estar parado. Mas aqui dentro, você simplesmente segue aprendendo e nos ensinando. E transformando esses dias tão difíceis em momentos de pura magia.