terça-feira, 31 de dezembro de 2019

O que eu observo em você 2- Ano Novo

Filha,
Vc já passou dos seis meses e começo a ficar assustada como o tempo está passando rápido. Ainda que eu tenha o privilégio (e agradeço todos os dias por isso) de acompanhar cada dia ao seu lado, acho que muitos desses dias estou tão focada nos afazeres de casa, nos cuidados com você, que acabo perdendo aquela capacidade tão peculiar de estar presente e viver o momento. Espero que, ao perceber isso, daqui pra frente eu esteja mais focada nisso, para não viver os próximos 6 meses com a sensação de que deveria ter aproveitado mais.
 É uma delicia conviver com você. Os dias são cansativos (é verdade) e tem horas que você me demanda tanto, que até bate um desespero pq acho que não terei suficiente pra dar. Mas acho que esse sentimento faz parte da maternidade e também me ajuda a entender um pouco a minha humanidade, para que eu tb possa me olhar e me autocuidar.
Pois é, filha! Mamãe aprendeu tanto desde a sua chegada. Desde a gravidez até agora, sinto que corri uma maratona inteira em direção ao autoconhecimento que tanto valorizo. E isso é maravilhoso!
O programa de coaching acabou, mas foi apenas uma semente plantada. A partir de você estou aprendendo sobre criança interna ferida e isso está sendo curador. Aprendi sobre autocuidado e autonutriçao, aprendi (e estou vivenciando) sobre o poder dos círculos de mulheres, aprendi sobre o privilégio e responsabilidade de estar educando uma mulher, aprendi sobre educar a mim mesma, a reconhecer as minhas sombras e a flexibilizar a rotina. Aprendi sobre tanta coisa de educação, de novas perspectivas, novos métodos e estou seguindo um monte de gente bacana, que me nutre com conhecimento para essa missão tão incrível. Aprendi o quanto estou desconectada do meu corpo e dos meus ciclos menstruais, e o quanto eles são importantes no nosso ciclo de energia vital, e o quanto isso nos une à natureza. E estou na busca de me reconectar com isso. Não quero de jeito nenhum que isso aconteça com vc. Farei o que estiver ao meu alcance para te ensinar sobre o seu corpo e seus ciclos. A cada dia que passo percebo mais claramente o quanto de mim precisa ser curado, pra você e por você. Para garantir que eu consiga cumprir com a minha missão de ser sua cuidadora: permitir que você cresça conectada com a sua essência e com a sua missão de vida, sendo você mesma e se amando profundamente.
E um dos objetivos desse blog é registrar aqui os meus pensamentos e percepções para que, um dia, você possa acessar esse portal e ajudá-la também a entender os seus processos, para que você tenha registros e o meu olhar sobre a sua infância, para que possa curar suas próprias dores. 
Nos primeiros 3 meses você era uma bebezinha, que chorava muito, dormia pouco e mamava bastante. Quase não saímos de casa e sua interação com o mundo era bem reduzida. Mas a partir dos 4 meses tanta coisa mudou.
Vc perdeu aquela involuntáriedade de bebezinha e já mostra seu temperamento e jeito de interagir com o mundo. Você continua dormindo pouco, mas as rotinas estão se encaixando naturalmente. Além disso, você tem uma curiosidade incrível (que eu acho lindo) e pára o que está fazendo (até de mamar) para observar sons, coisas e luzes diferentes. Eu acho isso maravilhoso e sempre penso que jamais devemos usar a sua curiosidade mágica como algo pejorativo. Não quero nunca bloquear essa sua curiosidade natural pra vida, pra que você sempre explore o mundo mais a mais. 
Você ainda não engatinha, mas se arrasta pela cama e pelo chão com certa dificuldade. Na cama, você vai até a beira do abismo e eu permito. Fico apenas segurando suas perninhas enquanto vc olha o infinito ali abaixo da sua cabeça, com aquela carinha de quem mergulharia fundo, sem medo. 
Pelo chão, às vezes você chora de frustração: porque não consegue sair do lugar ou porque não alcança o seu destino. Eu observo e tento não intervir muito porque acho importante vc aprender a regular essas frustrações, afinal, o mundo nem sempre é do jeito que queremos. Mas quando você se agita muito, eu te acolho e procuro explicar que essas emoções fazem parte da nossa vida.
Você tem um sorriso largo, fácil, e o distribui pra todo mundo: conhecidos e desconhecidos. Talvez por isso você encante a tantas pessoas por onde passa, afinal, quem resistiria a um sorriso de bebê tão verdadeiro. Confesso a você que isso me enche de orgulho e vaidade. Tanto, que outro dia fiquei me questionado se fosse diferente. Porque eu te aceitaria do jeitinho que você é, afinal, isso é respeitar a essência. Em casa você também faz um sorriso com os lábios fechadinho e nos derretemos todos. 
Esse último mês você dormiu muito com a gente na cama. Acho uma delicia estar ao seu lado e esses são momentos tão memoráveis, de uma conexão incrível. Eu te coloco de ladinho e ficamos com o rostinho colado. Você passa as mãos no meu cabelo e deixa seus dedos enrolarem nos meus cachinhos. E isso te acalma! Assim coladinha, você dorme bem mais tranquila. Ah....e já não precisamos mais te embalar em pé (o que é ótimo). 
Às vezes você puxa com força o meu cabelo. Aí eu reclamo, mas as vezes acabo suportando a dor só pra vivemos esse momento íntimo. 
Você não gosta muito de ficar sozinha e sempre que te deixamos por alguns instantes, você reclama e chora. Aí voltamos rapidinho pra te acolher.
Quando o dia é muito agitado, e você passa de colo em colo, muitas vezes você fica cansado e me olha profundamente, como se tivesse pedindo ajuda. E eu te acolho! 
Hoje ficamos deitada na cama e eu te enchi de beijos. Você deu gargalhadas e eu me derreti inteira. 
Você é uma fofa, filha. Um bebezinho sorridente que dá vontade de ficar perto o tempo todo. 
E neste ano ano que encerramos hoje, te desejo que 2020 seja especial para nossa família. Que a gente viva cada vez mais o momento presente. Que a gente se curta muito e que você cresça feliz, sorrindo, sempre. Te amo! 



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