Na semana passada voltamos à Juiz de Fora e pretendemos passar os próximos meses por aqui, tranquilos, implementando uma rotina melhor para todos nós. Infelizmente os últimos dias no Rio foram ruins. Acabei brigando com a sua avó e achei que as coisas iam ficar bem, mas parece que não.
Sabe, filha, eu sinto que me faltou tanta coisa na minha infância: colo, olhar, afeto, beijos e abraços, encorajamento. E é tão difícil a gente crescer e só então perceber tudo isso, porque ficam marcas profundas na nossa alma que são difíceis de curar. Eu sempre nutri uma visão idealizada dos seus avós e sempre os achei pais perfeitos. Depois que me adentrei nesse universo da maternidade (que aconteceu bem antes de você chegar) comecei a reconhecer o quanto faltou conexão na minha educação e o quanto cresci desconectada da minha essência, em nome de uma educação demasiadamente disciplinadora. É por isso que hoje estou sempre em busca de um autoconhecimento que não tive a oportunidade de construir enquanto criança. Eu honro a educação dos meus pais, filha, e sei que eles fizeram o melhor que puderam dentro da realidade que conheciam. Mas toda essa historia me leva pra bem longe da educação que pretendo oferecer a você. Eu pretendo te dar afeto e conexão sempre. Quero que você conte sempre comigo, que eu possa te amparar e te instruir nas situações mais difíceis e desafiadoras da sua vida. Quero que você se sinta sempre acolhida e ciente de que seremos o seu porto seguro. Quero dialogo e compreensão! E tenho meus medos de que não consiga te oferecer tudo isso que eu não tive.
Talvez por esses pensamentos, os últimos dias foram ruins. Me senti mais irritada, um tanto ansiosa querendo que você durma para que eu possa fazer coisas na casa ou no computador. Aí páro e penso que isso não é justo com a gente. Que eu esperei tanto pelo momento de estar com você e que o tempo está passando rápido demais. Você já está com quase 8 meses e eu fico tentando me lembrar dos primeiros dias, dos primeiros meses, tentando relembrar se eu te dei colo o suficiente. A resposta está sempre no momento presente, filha. Se a gente não o vive e fica pensando no porvir, vai gerar sempre esse sentimento de que poderíamos ter vivido mais. E eu não quero isso pra nós!
Mas é cansativo, filha. Muito!!! Tem dias (como hoje) que o corpo cansa, a dor de cabeça vem, e a gente fica querendo apenas dormir 15 min mais enquanto você está cheia de energia sentada na cama.
Tem dias que eu só queria ter algumas horinhas só pra mim, pra não fazer nada, pra ver o tempo passar. E não dá!! Logo você acorda e mais uma tarefa chega. Tem dias (como hoje) que eu me sinto a pior das criaturas, uma mãe ruim e sem noção. Semana passada, por exemplo, você caiu da cama. Foi questões de segundos e eu não estava lá. Bateu um desespero tão grande, uma culpa tão intensa! Eu te abracei enquanto você chorava compulsivamente. Também chorei! E ficamos ali abraçadas até que o seu choro parou. O meu continuou. Olhei seu corpinho pra saber se estava tudo bem e saí buscando na internet informações sobre o que fazer. Mas ficou tudo bem! Nenhum susto a mais!
Hoje vc fez um cocozão e eu resolvi te dar um novo banho. Acabei te segurando de uma forma firme, enquanto vc chorava com a água fria. Fui tentar consertar e piorei as coisas porque fiquei preocupada que você escorregasse pelas minhas mãos. E vc chorou mais, um choro doido que bateu lá no fundo do meu coração. Foi ai que parei e percebi que vc só queria conexão. Tirei minha roupa, te envolvi em meus braços e você se acalmou.
Ficamos ali abraçadas, mais tranquilas.
Depois fui refletir sobre o que aconteceu. Muitas vezes, filha, no momento da correria do dia, eu acabo me esquecendo o quanto você precisa do meu amparo e da minha plenitude. Vou agindo de forma quase que instintiva, reproduzindo as ausências da minha própria infância, sem me dar conta. É preciso seu choro para que eu me desperte dessa espécie de hipnose e olhe com olhos de ver.
Nem sempre eu consigo, mas sigo tentando, a cada dia!
Depois fui refletir sobre o que aconteceu. Muitas vezes, filha, no momento da correria do dia, eu acabo me esquecendo o quanto você precisa do meu amparo e da minha plenitude. Vou agindo de forma quase que instintiva, reproduzindo as ausências da minha própria infância, sem me dar conta. É preciso seu choro para que eu me desperte dessa espécie de hipnose e olhe com olhos de ver.
Nem sempre eu consigo, mas sigo tentando, a cada dia!
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