Tem dias que parecem que seria melhor permanecer dormindo. Hoje é Domingo e, pra mim, seria um dia desses. Acordamos às 9:00. Passei a noite acordando varia vezes e te doei peito todas as vezes que você me pediu. Não neguei nenhuma vez, por maior que fosse o cansaço, que já se acumulam em 2 anos e meio de noites mal dormidas. Consegui dormir mais um pouco enquanto o seu pai brincava com vc. Quando levantei da cama, fui tomar meu café, como forma de beber um pouco de energia que já me falta há meses, quiçá anos.
E na primeira tentativa de trocar sua fralda, você reagiu. Choros, lamúrias, pedidos incompreendidos. Tentei a ludicidade com a zebra. Foi em vão! Talvez porque lá no meu mundo interno houvessem outras coisas reverberando. Insisti, conversei, me esforcei para manter a paz interna. Também foi em vão. Quando você insistiu no choro e na revindicacao, aumentei o tom de voz e gritei. Fui grosseira, mas mantive a firmeza. E só assim você recuou. Consegui trocar a fralda, mas a raiva perdurou.
Hoje, mais uma vez, desejei não ser mãe. É isso não tem nada a ver com você, mas a essa forma dura que a sociedade tem de deixar a maternidade preferencialmente aos cuidados das mães. Senti o peso do mundo sobre meus ombros e tive vontade de fugir, de correr para bem longe, como sempre agi ao invés de enfrentar os meus problemas.
E a tempestade se acalmou!
Mas no início da tarde, ainda sob a pressão do mundo e a vontade de sair para espairecer, perdi o prumo de novo e gritei! Foi um uivo que veio de dentro das minhas vísceras, como se eu quisesse libertar todas as sombras que habitam em mim!
Recuei enquanto você esperava sentada. E mais uma vez chorei! Compulsivamente toda a dor, cansaço e culpa por agir de forma tão violenta e infantil.
Chorei, chorei, chorei, tentando lavar a alma e trazer mais leveza pra esse dia difícil.
Calei e fui escrever! Você dormiu!
Eu e seu pai conversamos e foi bom perceber ainda uma centelha daquilo que nos uniu. Ela ainda existe e pode ser reacesa (embora muitas vezes eu ache que já está tarde demais).
E o cinza foi clareando e o céu abrindo! Conseguimos rir e brincar.
Mas o cansaço é tão grande que ao menor sinal de desafio, já estamos impacientes de novo, esvaziados.
Hoje me senti uma péssima mãe. Senti estar indo no caminho oposto daquilo que acredito e quero lhe ensinar. Senti o peso do patriarcado cravejado em meu subconsciente. Senti a hipocrisia vestir-me inteira.
Agora, filha, quero apenas que vc aceite a minha humanidade e me perdoe. E que esse dia termine!!
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