sexta-feira, 31 de maio de 2019

Agradecimento à família pelo chá de bebê

Filha, esse texto a mamãe escreveu dias depois do seu chá de bebê. Para agradecer a nossa família imediata toda a ajuda que eles nos deram na preparação desse dia que foi tão especial. Muita gratidão e muito amor também.


Família, 

Passada a euforia do dia e também o cansaço da organização, não queremos deixar de compartilhar com vocês nossos sentimentos mais profundos de gratidão, pois ainda estamos com a sensação que não o fizemos suficientemente.
Queremos agradecer especialmente a mamãe pela ajuda de sempre! Obrigada por embarcar no nosso sonho (mais uma vez!) e ajudá-lo a concretizar com tanta dedicação, seja pesquisando sobre o tema, fazendo os diversos artesanatos (e foram muitos), na idealização e confecção das lembrancinhas, fazendo compras, no cuidado com as flores, enfim, ajudando no planejamento desde o início e em todo o processo de organização. Sem você nada teria acontecido! 
Cometemos alguns exageros, é verdade (a gente nunca aprende!!!), mas acho que no final tudo valeu a pena porque foi lindo!!!
Queremos também agradecer ao papai sempre incansável, carregando coisas pra cima e pra baixo, e garantindo que a "orquestra" começasse a tocar no tempo certo. Além disso, obrigada por todo o "paitrocínio" que você nos promove sempre com total desapego e sem esperar nada em troca. E quando a gente achava que você já teria feito o suficiente, você continua firme e forte até fechar o salão e praticamente deixá-lo limpo para a próxima festa. 
Agradeço à Elaine, por despender seu tempo (já tão escasso com o novo trabalho) na etapa de planejamento e também na organização final. Além de sua grande ajuda no dia, tanto durante o evento quanto no encerramento, suas intermediações de comunicação foram fundamentais nesse processo!
Quero agradecer ao Luis Renato, Rosimar (especialmente) e Juliana, que chegaram no momento certo, colocaram a mão na massa e "abraçaram a causa", colaborando para que os ajustes finais fossem concluídos e ainda garantindo (também de forma incansável) que não faltasse nada na mesa durante todo o chá! E ainda ajudaram no encerramento também de forma destemida! Vocês foram incríveis, de verdade!!!
E estamos apenas no começo!!! (Mas prometemos que o aniversário de 1 ano será menos cansativo!)
Existe um provérbio africano que eu adoro e que reflete nosso sentimento: "É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança"!
Vocês são "A nossa aldeia" e queremos que façam parte dessa missão sempre!
Que possamos aproveitar a chegada da Clarice para fortalecer ainda mais nossos laços familiares, nosso amor, nosso vínculo afetivo. Que esse novo capítulo nos ajude a quebrar qualquer barreira ainda existente e que nos traga oportunidades de nos reinventarmos como família e também como indivíduos! Que essa mudança nos faça ainda melhores!
Enfim, família, obrigada pela ajuda no chá de bebê e obrigada por toda a ajuda até aqui. Palavras não serão suficientes para transmitir toda a gratidão por tudo que fizeram por nós 3! 
E sabemos o quanto ainda continuarão fazendo!
Muito Obrigada! Amamos vocês!

Mês de Maio

Filha,

Hoje é o último dia do mês de maio e ele se encerra com grande carinho e expectativa. Achamos que você nasceria nele, mas acho que você quer compartilhar comigo o mesmo mês de aniversário e eu acho isso o máximo. 

Vivemos dias tão deliciosos nesse mês de maio, Filha. Fortalecemos nossa rotina matinal no bosque, traçamos muitas conversas profundas, senti você mexer cada vez mais dentro da minha barriga, e ainda descartamos qualquer resquício  de medo do futuro que havia. Sorrimos muito juntas, nos emocionamos e agradecemos a cada pôr do sol que a vida nos brindou nesse mês que foi lindo, diria até perfeito. 

Foi em maio que aconteceu seu chá de bebê e foi um dia tão maravilhoso, filha. Tivemos ao nosso lado muitas pessoas queridas em nossa trajetória de vida. E elas já te amam tanto. Comemoramos e agradecemos a nossa família mais próxima que nos ajudou a realizar esse dia de forma tão especial. Até escrevi um agradecimento profundo sobre isso, que deixarei aqui para que você um dia também possa ler. 

Também em maio estudamos um pouco mais sobre gravidez, maternidade e amamentação. E ainda conhecemos alguns anjos que nos ajudaram a escolher a obstetra que fará nosso parto para que ele seja o mais tranquilo e respeitoso possível. E isso nos deu tanto conforto e tranquilidade. Sabemos que não controlamos tudo e que o momento do seu nascimento é uma incerteza, mas eu e seu pai fizemos o que estava no nosso alcance para que a interferência seja a menor possível. Isso porque entendemos que o respeito ao nosso corpo e ritmo deve acontecer desde os primeiros minutos da sua vida. 

Em maio também teve o dia das mães, filha. O meu segundo (porque ano passado você já era um embrião congelado) e primeiríssimo com você dentro da minha barriga e já fecundada. Papai nos deu um presente lindo e um cartão com palavras maravilhosas que me fez chorar. Nos abraçamos de forma intensa pois só nós três sabemos toda a estrada que percorremos até chegar aqui. Estamos cercados de amor, filha. E isso é tão maravilhoso. 

Nesse mês também deixamos suas coisinhas e seu quarto preparado para a sua chegada. Mamãe passou muitas roupas, ganhamos muitos presentes e deixamos tudo pronto para que você se sinta acolhida nesse mundo material, com a certeza de que não é isso o principal na nossa trajetória. 

E ontem, mamãe começou a catalogar virtualmente várias cartas antigas para liberarmos espaço na casa e ficou tão emocionada com tantas amizades que já passaram pela minha vida. Foi tão incrível recordar pessoas e vivências tão fantásticas que contribuíram para que eu me tornasse o que sou hoje. Sou tão grata por tudo isso, filha, tão grata, que meu coração parece que vai transbordar de amor. Durante a meditação, agradeci à Deus e ao Universo por tudo isso, pelo que sou e pelo que ainda podemos ser juntas. Muita gratidão!! Que eu possa retribuir ao universo todo esse amor que tenho recebido por todos os lados. 

Espero (e farei o meu esforço pessoal) que você tenha uma vida tão linda quanto a que eu tive até aqui. Que você tenha muitos amigos, que ame intensamente, que sofra e amadureça com as dificuldades, que caia mas nunca perca a vontade de levantar, que viva muitas experiências, que conheça muitas pessoas, muitos países, muitas culturas e que seja sempre humilde para conhecer cada vez mais. Que você tenha e sinta toda a liberdade do mundo para viver e explorar esse mundo que é confuso, mas é lindo. Que você se conheça profundamente e que tenha ânimo para corrigir (com toda a dificuldade) àquilo que não gosta e não aceita muito em si. Que você sinta o amor te cercando por todos os lados, assim como eu sinto hoje, filha. E que tenha toda a energia e vontade necessária para viver seu propósito e deixar a sua marca no mundo, através do respeito, da caridade e da empatia ao próximo. 

Que você seja tão feliz quanto eu sou, filha!! Se depender de mim e do seu pai, você será ainda mais feliz do que nós somos! Estamos aqui te esperando, com calma e serenidade, para começarmos juntos essa jornada de puro amor.

Te amamos o universo inteiro! 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Uma carta para minha mãe (escrita em 15/04)

Esta carta, filha, foi escrita para a sua avó. Mas ainda não foi entregue. É que as vezes mamãe tem dificuldades de falar sobre os sentimentos e acaba se expressando melhor pelas palavras escritas. Mas eu e você vamos treinar muito para que consigamos nos expressa muito bem uma com a outra. Saber falar sobre os próprios sentimentos, olhando nos olhos, é uma habilidade que eu quero desenvolver ainda nessa encarnação. E acho importante que você também desenvolva, ainda que você faça a sua escolha no futuro.


Mãe,
Escrevo essa carta como meio de me expressar e quebrar esse silêncio de uma semana pois já ensaiei algumas conversas, mas ainda não me sinto pronta para fazê-la olho nos olhos. Peço desculpas e reconheço essa minha dificuldade, pois entendo que seria mais adequado conversarmos pessoalmente. No entanto, entre o medo e a dificuldade de dialogar e a vontade de esclarecer certos pontos (a fim de quebrar esse ciclo de colocar a "poeira para debaixo do tapete"), prefiro dar um passo, ainda que seja pequenino, para abrirmos o nosso coração sobre a experiência do último sábado.Primeiramente quero que você saiba: eu não gostei do curso! Achei o conteúdo raso, desestruturado e não imaginei que a Fadynha fosse destilar pelo curso as suas revoltas contra o mundo e contra as dores que ela já vivenciou (cabe ressaltar que, apesar de eu ter pessoalmente muitas criticas sobre o perfil dela, só ela sabe o quanto sofreu nessa sociedade para conquistar certos espaços e levantar bandeiras importantes, ainda que radicais, para a questão do parto humanizado. É por isso que não nos cabe julgar, mas respeitar). Enfim, foi um curso ruim! No entanto, frente àquela situação eu fiz uma escolha: filtrar aquilo que eu poderia aproveitar como aprendizado (e tive alguns, porque o aprendizado sempre existe) e ignorar as falas repletas de rancor e radicalismo. Dessa forma, procurei fazer uma limonada dos limões que tinha porque isso estava ao meu alcance.Mas acho que a experiência foi muito pior pra vc e peço desculpas por isso, pois não era essa a minha intenção. Talvez você não estivesse preparada para sentir certas provocações ou não quisesse, naquele momento, ouvir opiniões divergentes. E tudo bem! Mas precisamos falar sobre isso. O fato é que minha intenção quando a chamei para fazer o curso era aproximá-la desse meu processo de maternidade e fazê-la sentir parte disso, para além das questões práticas e materiais. Eu queria que você se sentisse integrada a esse mundo maravilhoso (e de grande responsabilidade) que inicio tardiamente após muita luta e muita vontade. Afinal, da mesma forma que eu me preparo para renascer no papel de mãe, você também renascerá no papel de avó. E nenhuma das duas sabe o que isso significa, pois estamos vivenciando isso pela primeira vez nessa encarnação!Infelizmente o processo foi outro e ao invés de aproximação, houve repulsão. E tudo bem, também! Mas entendo que esse momento mútuo é tão especial que merece toda a nossa atenção e nosso esforço para pensar, refletir, agir e transformar.Você foi mãe em um outro contexto social: era jovem demais; vivia uma realidade difícil de conflitos e incertezas; você não teve apoio familiar, nem oportunidade para partilhar suas dificuldades com alguém, nem teve acesso às milhões de informações que hoje estão disponíveis sobre todos os assuntos inerentes à maternidade e educação. Além disso, provavelmente você não fez uma escolha de ser mãe, mas esse papel lhe foi imposto de alguma forma, pelas circunstancias da vida e pelos passos que você trilhou sem muita consciencia. E tudo bem, porque nesse processo nem eu e nem ninguém está te julgando ou te cobrando uma postura diferente. De forma alguma! Muito pelo contrário! A minha opinião sempre foi (e continua sendo) de muita gratidão pela mãe que você foi, pelo exemplo de força e independência quenos transmitiu e pela abnegação que teve para nos criar ao longo desses anos. Por muitas vezes eu penso que foi um grande milagre você conseguir ser uma mãe tão maravilhosa diante de tantas dificuldades que vivenciou e os exemplos que teve em sua família. No fundo foi um milagre promovido pelo seu próprio esforço e vontade, da qual serei eternamente grata.Só que agora é diferente, mãe! A maternidade chega na minha vida por uma escolha pessoal e uma vontade enorme de educar um ser! Além disso, a Clarice vai renascer em um contexto familiar completamente diferente (e isso inclui toda a nossa família e a do Leandro) e num planeta muito mais evoluído e conectado. Por isso, apesar de ainda não existir uma escola para aprender a ser pais (apesar de ser instintivo, isso é muito importante), é possivel hoje a gente se preparar melhor, ler, estudar, "educar-se para educar", a fim de se comprometer com a missão que está por vir. E eu estou nesse processo, nessa busca, de me auto-conhecer, de estudar, de ler, de me revisitar para que eu seja a minha melhor versão, a fim de ajudar a Clarice a ser a sua melhor versão. Toda essa preparação vai me impedir de errar? Claro que não!!!! E nem tenho essa pretensão!!! Eu vou falhar (e muito) nesse processo, mas espero também aprender com esses erros e me reinventar porque entendo que educar um ser é a missão mais bonita, mas também a mais dificil de um ser humano. E nessa nova jornada, é provável que eu aprenda mais do que ensine e estou entusiasmada com isso! E no final das contas, tudo vai ser uma tentativa! E sabe o que é importante para mim nesse momento? Que além do amor (sim, porque nesse processo de educação, o zelo, os erros, as opiniões são sempre focados no amor e no bem estar do outro), prevaleça também o respeito, sem julgamentos e sem críticas destrutivas. De todas as partes e todos os lados! Porque se for dessa forma, esse processo pode ser lindo para toda a nossa família. Ninguém está obrigado a concordar comigo, claro que não! E nem quero que se calem ou deixem de dar opinião. Pretendo que essa vivência seja intensa e participativa para todos nós. Mas é importante respeitar a minha decisão (e também do Leandro) de forma a permitir que a gente viva a nossa própria experiência e colha o resultado das nossas proprias falhas, porque são essas experiências que nos tornarão "Pais", assim como vcs foram. Da mesma forma, nós também queremos respeitar a cada um que fará parte dessa missão(avós, tios, primos) sem julgamento e sem críticas destrutivas. E respeitar não é concordar: é aceitar; é compreender; é dar opinião, mas entender caso o outro queira seguir outro caminho, é aproveitar a oportunidade para refletir e, quem sabe, até se reinventar, mudando o ponto de vista. Enfim, é ter compaixão e encorajar o outro, ainda que esta não seja a nossa crença.Por isso, mãe, que possamos dialogar mais sobre o nascimento e educação da Clarice, que você se sinta à vontade para participar ativamente desse processo (porque será bem vinda), que aproveite essa oportunidade para se autoconhecer e se redescobrir nesse novo papel de avó, e que posssamos trilhar essa caminhada juntas sempre com muito amor, respeito e empatia. 

Da sua filha, Rosane

Para esclarecer, listo aqui alguns valores e objetivos que eu e Leandro pretendemos seguir na educação da nossa filha, sempre com o intuito de tentar (ainda que possamos fracassar):
1) educar com afeto, para que ela se sinta amada não só pelo cuidado prático da vida, mas também com afetividade física de forma que ela se sinta acolhida sempre;
2) Autoestima e independência, para que ela desbrave o mundo, experimente e não tenha medo de se lançar na vida. Para que ela tenha coragem de viver! Será permitido cair, se sujar, explorar sem restrições. Esse é um dos motivos pela escolha de um quarto montessoriano, em que existem evidencias cientificas do melhor desenvolvimento da criança. Isso não é besteira. É adequação do ambiente para ajudá-la nesse processo;
3) Disciplina com afeto, porque os limites são importantes para ela se amar e interagir de forma saudável com o mundo;
4) Presença, para que possamos observar suas tendências, auxiliá-la com suas dificuldades e ajudá-la a se tornar um ser melhor, através do desenvolvimento das suas potencialidades;
5) Educação baseada no Ser e não no ter- Não quero que ela tenha milhares de brinquedos e coisas e que cresça num ambiente extremamente materialista. Eu e Leandro estamos em um processo de minimalismo e desapego desde o ano passado e pretendemos educá-la nesse contexto através dos nossos exemplos;
6) Preocupação com o meio ambiente- Queremos que ela viva num planeta um pouco melhor e pretendemos fazer a nossa parte, mudando pequenos hábitos diários para ajudar esse meio ambiente tão degradado. A escolha sobre tentar não usar fralda plastica é um desses objetivos. Reduzir o consumo de embalagens plasticas tb. E ao longo do caminho tentaremos sempre mudar algum hábito, em suaves prestações.
7) Reduzir a possibilidade dela ter alergias- eu sempre sofri muito com alergias respiratórias e não gostaria que ela passasse pelo mesmo. Por isso vou tentar (e tentar mesmo porque sei que pode não dar certo) não utilizar muitos produtos químicos ou coisas que tenham um cheiro desproporcional, ao menos no primeiro ano de vida. Isso inclui colonias, sabonetes com muitos corantes, lenços umedecidos e outros itens que hoje considero desnecessário. É claro que isso será sem radicalismo! Quando necessário utilizarei produtos com aromas.

Relação Mãe e Filha (escrito em 06/04/2018)

Filha,

Mamãe acaba de sair de um curso em que convidou sua avó. Não sabia a fundo qual era o conteúdo mas achei que seria uma ótima oportunidade para, sobretudo, envolvê-la nesse processo da gravidez. 
Acho que o tiro saiu pela culatra, filha.
O curso não foi bom e a aquela cliente complexa acabou decepcionando no conteúdo. E aparentemente, sua avó detestou o curso. No fim, ao ser questionada sobre o que achou, proferiu certas palavras que demonstraram claramente suas próprias dificuldades (talvez oriundas da maternidade precoce e não desejada), destilados em um tom de rancor e superioridade. Me senti mal por isso! E agora estou aqui meio magoada, chorando mansinho um sentimento de culpa, ao mesmo tempo que busco um pouco de compaixão para também tentar entender os sentimentos dela.
Já respirei um pouco tentando acolher todos esses sentimentos, a fim de fazê-los florir dentro de mim.
Isso me faz pensar filha o quanto quero ser diferente pra vc! Como quero estar ao seu lado te apoiando e ajudando em vários momentos em que vc precisar de colo e acolhimento. Quero ser seu Porto Seguro, mas te encorajando a ganhar o mundo e viver suas experiências incríveis porque o equilíbrio é possível. Eu acredito no poder da educação e do amor e sei que é possível a gente disciplinar com cuidado e afeto.
Se um dia você for mãe (apenas se desejar, porque vou respeitar suas escolhas, ainda que ache que elas vão fazê-las sofrer) estarei ao seu lado, te apoiando e te encorajando a ser um ser humano melhor a cada dia. 
Você poderá contar comigo sempre! Eu sou sua mãe! 

O que eu observo em você 5

  Filha, O tempo está passando mais rápido o que nossa consciência pode perceber. Aqui pela floria, acabamos e viver a experiência o nosso...