Alguns dias são bem difíceis, filha. Esses últimos dias foram desses. Seu pai anda preocupado com o trabalho e eu ando cansada.
Na sexta ele saiu de casa as 1:00 da manha para resolver problemas com a obra do telhado. Também fiquei sem dormir até ele voltar. E senti uma dor que acho que são dos ovários.
Pra mim é sempre difícil ficar sem dormir. Tenho dificuldades depois de gerenciar a falta de paciência e me sinto mais vulnerável.
Você não quis dormir a tarde toda e eu torcendo para, ao menos, uma horinha de trégua. Mas não rolou e o cansaço (e a cobrança mental de ter que fazer coisas) me fez chorar. Chorei de sono, de ansiedade, de medo e de angustia por tanta coisa. Resolvi acolher o choro e senti-lo.
Te pedi um abraço e expliquei minha tristeza.
Você me olhou com seus olhos profundos e riu. Me acolheu! Me senti mais leve e resolvi deixar fluir. Já percebi que é pior forçar você a dormir. E mais uma vez lembrei o quanto é dificil dar aquilo que não recebemos. E nessas horas, de choro, de desespero, de plena doação de toda a minha energia, percebo o quanto recebi muito pouco. O quanto a minha criança interior precisa de um abraço, de um afeto, de alguém que lhe diga "estou aqui. Conte comigo. Você não está sozinha!".
Foi aí que fechei os olhos e conversei com essa criança. Dei um abraço apertado nela e disse que eu estava ali para ela. Foi muito importante esse encontro. Afinal, você não pode ser responsabilizada pela minha impaciência e por tudo o que esta aqui dentro, fruto do meu passado e presente.
Depois disso, você adormeceu e eu aproveitei para conversar com você, pedir desculpas e dizer que nenhum daqueles sentimentos eram sua responsabilidade.
E seguimos assim, filha. Errando, refletindo e tentando acertar. Na certeza de que você está me ajudando nesse mergulho profundo sobre mim mesma. E mesmos com esses dias difíceis, só temos motivos para agradecer.
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