quinta-feira, 13 de agosto de 2020

O que eu observo em você 3

Filha,

Já estamos em Agosto. Passamos do meio do ano e o tempo continua líquido, esquisito, diluído. A pandemia no Brasil continua e já somamos mais de 100 mil mortos. Que tristeza pensar nisso! Em tantas dores, tantas histórias e vidas que viraram apenas uma estatística. E nós....continuamos na nossa bolha. Segura, é verdade. Mas estamos nela, tentando sobreviver e agradecendo a cada dia por nossos privilégios. Principalmente porque temos você, que cresce a cada dia e nos trás força (e uma dose extra de esperança) para os próximos dias.

Olho pra você e já não encontro mais aquele bebezinho passivo. Vejo uma menina que cresce, curiosa pelo mundo, tocando tudo e colocando os dedos nos buraquinhos mais inusitados. Experimentando a vida a cada segundo. Abrindo e fechando, puxando e empurrando. Encaixando e desencaixando. Vejo você abraçando e amontoando seus amigos peludos, sobre o meu peito. Vejo você alucinada por todos os cachorros que encontra pela frente. 

Acompanho seus passos, que agora são firme (já dentro de sapatos) e que, em breve, estarão correndo. Andando tão depressa e tão livre que não quer segurar a nossa mão. Você anda pela casa, de um cômodo ao outro, carregando coisas e repetindo as mesmas descobertas, sem cessar. Vejo sua dança, que balança de um lado para o outro a qualquer sinal de música.

Ainda recebo você nos meus seios e os pedidos se intensificaram. A cada nova descoberta no mundo, você parece querer voltar a esse refúgio conhecido. E eu gosto, apesar de todo o cansaço. 

As noites continuam terríveis, tem dias até que chegam a ser insuportáveis. E eu choro, num mixto de culpa e dor, na busca de uma resposta para tanta agitação. Onde será que estou errando? Por que será que você não dorme bem? 

Suas gargalhadas se intensificaram e colorem o nosso dia. Você adora brincar de esconder, adora ficar nos cantinhos, com a cara "escarafunchada" no travesseiro. Tira e põem as roupas nas gavetas, leva e trás o pano de prato da cozinha. Abre e fecha o armário da pia. Faz de tudo da casa uma eterna brincadeira. 

E eu fico aqui e ali....só observando, contemplando o seu despertar para o mundo. 


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