Amor, Os últimos dias têm sido difíceis. Ambos estamos tentando ser a nossa melhor versão, para que possamos viver com plenitude toda essa bênção que recebemos. Sei que somos gratos na maior parte do tempo. Mas as vezes é difícil lutar contra nossas imperfeiçoes, deixar de lado nossos impulsos mais selvagens. Hoje eu queria te falar em palavras escritas aquilo que, muitas vezes, não consigo falar em palavras ditas. A maternidade me transformou! Desde o nascimento da Clarice que sinto uma avalanche de sentimentos, que ora são maravilhosos e enchem meu peito de gratidão, e ora são duros e me revelam o lado mais sombrio da minha alma. A cada dia estabeleço uma luta interna, na busca de me tornar um ser melhor. Tento refletir e sentir a cada experiência diária todos os sentimentos que vem à tona na convivência diária com a Clarice. Essa tal maternidade é uma completa montanha russa. Tem dias maravilhosos e outros sombrios. E não adianta eu tentar lutar contra isso. Só me resta aceitar e usar minhas sombras, que surgem a cada dia, nesse processo de autoconhecimento que eu escolhi, para que eu possa ser melhor pra ela e por todos nós.Hoje, depois da nossa briga eu percebi que preciso te falar certas coisas, ser mais clara em alguns aspectos.
- Eu mudei! Não há como voltar atrás e recuperar aquela “Rosane” do passado. Ser mãe me transformou completamente. E pode apostar que isso é tão perturbador pra mim quanto pra vc. E nesse processo, já não reconheço mais a mulher quem eu era e estou na busca frequente de reconhecer a mulher que hoje sou. Às vezes eu gosto dessa nova versão, às vezes eu a odeio e na maior parte do tempo eu tenho medo de tudo isso. Diante de tantas incertezas, eu sigo nesse caminho que escolhi com tanta vontade, sem qualquer arrependimento.
- Eu só tenho essa nova versão a oferecer a vocês! É uma luta inglória tentar retomar a mesma paciência e tranquilidade que eu tinha antes. Por mais que eu tente (e acredite, estou me esforcando muito pra isso) ser mais paciente com você, levar na brincadeira certas “cutucadas” e fazer vista grossa para coisas que me incomodam, se tornou impossível. Estou te oferecendo o máximo que eu posso nesse momento. Por isso, lhe peço: não exija mais do que isso nesse momento. Pode ser que as coisas melhorem, que nessa minha caminhada de busca, eu recupere um certo autocontrole e, como antes, eu tenha mais paciência para lidar com vc. Mas reafirmo que hoje, isso é tudo o que posso te oferecer: estar tranquila alguns dias e em outros estar raivosa e sensível demais. Esse é meu novo Eu. E não adianta esperar mais do que isso. Não seria justo nem comigo e nem com vc. Entenda que não quero descontar em você. Mas vivo meus dias imersa numa fusão emocional com uma bebê que me demanda mais do que eu tenho e do que recebi em toda a minha vida. Isso é maravilhoso, mas assustador ao mesmo tempo. Aquela Rosane paciente, disposta a quebrar os ciclos de “grosserias”, ligada no bem estar de todos, que te espera pra comer, pra dormir, que faz gentilezas sutis e que tem o foco no “cuidar”, que tem todas as respostas já não consegue mais fazer isso. Por isso, nos dias mais difíceis preciso de amparo, de colo, de afeto. Entendo que terão dias que você vai conseguir. Em outros não, e seguimos assim errando e acertando como em tudo na vida.
- Eu entendo e reconheço o seu esforço. Não estamos em uma disputa de vida em que precisamos definir quem se esforça mais do que o outro pelo bem comum. Que possamos ter isso sempre em mente para que a gente consiga quebrar esse ciclo de necessidade de reconhecimento que ambos trazemos da nossa infância. Eu entendo e reconheço todo o esforço que você está fazendo para manter o bem estar da nossa família. Sei o quanto é duro o seu trabalho e o quanto vc está se esforçando para conquistar nossos sonhos de vida e nossa independência financeira. Isso foi um projeto que construímos juntos e me orgulho pelo que você tem conquistado até aqui. Mas os esforços são feitos pelos dois lados. E ainda que a gente não fique repetindo isso um ao outro, temos que ter essa certeza diariamente.
- Preciso que você aprenda a aceitar essa nova versão, ao invés de desejar o retorno das características que eu tinha antes. Se você não for capaz de aceitar essa minha nova versão, seguiremos num caminho tortuoso de desconexão. E nós dois não queremos isso! Por isso eu proponho que ambos estejam aberto a aprender com essa nova vida que se abre. Que possamos trilhar essa nova estrada de reconexão e que possamos transformar ainda mais a nossa relação que era boa, para que ela seja melhor ainda. Que possamos respeitar as rotinas do outro e continuar aprendendo com o outro, cada dia mais.
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